Resumen
Esta tese, produzida junto ao Programa de Pós-Graduação em Educação em Ciências: Química da Vida e Saúde, na linha de pesquisa "Educação científica: implicações das práticas científicas na constituição dos sujeitos" tem, como objetivos de pesquisa, discutir o espaço do Videocurso Educação para a Sexualidade enquanto um espaço permeado por elementos heterotópicos, que possibilitam a formação de profissionais da educação em educação para a sexualidade; analisar o Videocurso como um contraespaço entrelaçado aos elementos das heterotopias de Foucault a fim de discutir as estratégias de resistência aos avanços da frente contra "ideologia de gênero", bem como ao enfrentamento diante do contexto de retrocessos no campo de investimentos na Educação; e discutir a produção dos Recursos Educativos Digitais (RED) e dos Artefatos Culturais (AC), propostos no âmbito do Videocurso, enquanto estratégias de educação menor, possibilitando que os/as cursistas criem espaços permeados por heterotopias para a promoção e o debate da educação para a sexualidade nos espaços educativos. Utiliza-se, nessa pesquisa, aporte teórico dos estudos de Michel Foucault, Silvio Gallo, Marlucy Paraíso, Constantina Xavier Filha, entre outros/as autores/as para fundamentar as discussões e análises apresentadas no âmbito dessa pesquisa. O Videocurso é um curso de formação para profissionais da educação, ofertado na modalidade a distância. Esse tem, como propósito, debater as questões da educação para a sexualidade, no âmbito da educação, tendo em vista fomentar práticas que potencializem a produção de uma educação pautada nas diferenças, para o enfrentamento das múltiplas violências e desigualdades. Compõem o corpus de análise dessa tese o espaço do Videocurso Educação para a Sexualidade e suas videoaulas, seus fóruns de discussão, suas webconferências, seus recursos educativos digitais e artefatos culturais, os quais foram produzidos pelos/as cursistas, nas ofertas realizadas no período de 2015 a 2018. A partir do processo de análises, defende-se a tese de ser o Videocurso Educação para a Sexualidade um espaço permeado por elementos heterotópicos que possibilitam a discussão da educação para a sexualidade na formação de profissionais da educação. Esse recurso também é entendido como sendo um contraespaço que possibilita a formação a partir dos diálogos e das trocas realizados pelos/as cursistas, bem como pela justaposição de espaços distintos entre si, buscando criar possibilidades de resistências junto dos/as cursistas que dele participam. A partir desse movimento, é permitido que estes/as realizem trocas, aprofundem seus conhecimentos e construam propostas de projetos e de práticas pedagógicas para serem realizados no espaço dos currículos, abordando os temas da educação para a sexualidade como práticas de educação menor. Assim, entende-se ser o contraespaço do Videocurso, um espaço permeado por elementos das heterotopias que se constituíram em meio a um contexto de disputa e de retrocessos no campo educacional das discussões da educação para a sexualidade, possibilitando que tais temáticas permeassem a formação de profissionais da educação, criando aberturas para a discussão dos temas corpos, gêneros e sexualidade no espaço dos currículos escolares.